
Glossário de Tecnologia para Enfermagem
GUIA PRÁTICO E ACADÊMICO DE TERMOS TECNOLÓGICOS
A tecnologia para a enfermagem é uma aliada estratégica que transforma a prática profissional, ampliando a precisão, a agilidade e a segurança do cuidado. Das ferramentas digitais cotidianas, como o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e a Teleenfermagem, às inovações de ponta como Inteligência Artificial (IA), ciência de dados e dispositivos vestíveis, a tecnologia não substitui a essência do cuidado humano — ela potencializa a tomada de decisão clínica.
A enfermagem, tradicionalmente marcada pela humanização do cuidado, está vivenciando uma transformação profunda com a crescente integração da tecnologia em seus processos. Ferramentas digitais, softwares especializados, dispositivos vestíveis e inteligência artificial estão remodelando a forma como os profissionais da saúde prestam assistência.
Este glossário foi desenvolvido para desmistificar o "tecnologês" utilizado em congressos, simpósios e palestras contemporâneas de saúde. Para acompanhar essa evolução e participar ativamente das discussões em seminários, encontros científicos e palestras, é fundamental que os profissionais de Enfermagem compreendam a linguagem técnica utilizada nesse novo contexto.
Este glossário tem como objetivo desmistificar os termos tecnológicos mais comuns, proporcionando aos profissionais da enfermagem uma base sólida para explorar as diversas possibilidades que a tecnologia oferece. Ele reúne termos fundamentais de Tecnologia da Informação, metodologias ágeis, gestão e saúde digital, contextualizados diretamente para a Enfermagem e integrados aos referenciais oficiais do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).
Por que este glossário é importante?
Democratização do conhecimento: Ao oferecer definições claras e concisas, este glossário torna o universo da tecnologia mais acessível a todos os profissionais de enfermagem, independentemente de sua formação em tecnologia da informação.
Facilitação da comunicação: Ao utilizar uma linguagem comum, os enfermeiros podem se comunicar de forma mais eficiente com colegas, gestores e outros profissionais da área da saúde.
Tomada de decisões mais assertivas: A compreensão dos termos técnicos permite que os enfermeiros avaliem criticamente as novas tecnologias e escolham as mais adequadas para suas necessidades.
Preparação para o futuro: A tecnologia está em constante evolução. Ao se familiarizar com os termos básicos, os enfermeiros estarão mais bem preparados para acompanhar as futuras inovações.
O que você encontrará neste glossário?
Este glossário é um convite para que você explore o mundo da tecnologia e descubra como ela pode transformar a sua prática profissional.
Termos em Ordem Alfabética (A – Z)
5G (Quinta Geração de Redes Móveis)
Infraestrutura de rede sem fio de alta velocidade e baixíssima latência. Na enfermagem, viabiliza transmissões de vídeo em altíssima resolução para acompanhamento da teleassistência em tempo real, cirurgia robótica remota e comunicação imediata de sensores de pacientes críticos sem atrasos na rede [1].
Agentes de IA (AI Agents)
Sistemas autônomos baseados em inteligência artificial capazes de perceber o ambiente, tomar decisões e executar sequências de tarefas para atingir metas específicas. Podem atuar na busca ativa de pacientes faltosos ou no monitoramento contínuo de protocolos assistenciais de triagem.
AGI (Inteligência Artificial Geral / Artificial General Intelligence)
Estágio hipotético ou avançado da IA em que a máquina possui capacidade cognitiva equivalente ou superior à humana para compreender, aprender e realizar qualquer tarefa intelectual. Difere da IA restrita atual, desenvolvida para funções específicas como leitura de exames.
Algoritmo
Sequência finita de instruções lógicas e matemáticas bem definidas para a resolução de um problema. Na prática clínica, algoritmos estruturam escalas de risco (como Braden ou Morse) em softwares de triagem preditiva de complicações.
Análise de Dados (Data Analytics)
Processo sistemático de inspeção, limpeza, transformação e modelagem de dados com o objetivo de descobrir informações úteis, apoiar a tomada de decisão assistencial e otimizar fluxos de trabalho hospitalares.
API (Application Programming Interface / Interface de Programação de Aplicações)
Conjunto de rotinas e padrões de programação que permite a comunicação direta entre sistemas computacionais distintos. É o mecanismo técnico que permite que o sistema de bombas de infusão envie dados para o Prontuário Eletrônico.
Aprendizado de Máquina (Machine Learning)
Subcampo da Inteligência Artificial em que algoritmos identificam padrões em grandes conjuntos de dados históricos para realizar previsões sem necessidade de programação manual. Utilizado na enfermagem para prever risco de sepse ou lesão por pressão.
Assistência Centrada no Paciente
Abordagem assistencial que utiliza tecnologias digitais para personalizar a linha de cuidado, garantindo transparência de informações e respeitando valores e escolhas individuais do usuário de saúde [2].
Automação
Uso de tecnologia, software ou equipamentos mecânicos para realizar processos repetitivos com mínima intervenção humana, como o disparo de alertas de aprazamento de medicação ou requisições de laboratório.
Backend
Camada de um software que opera "nos bastidores", responsável pelo processamento de dados, lógica de negócios e comunicação com o banco de dados de um sistema de saúde, invisível ao usuário final.
Benchmark / Benchmarking
Processo de comparação contínua e mensurável de produtos, serviços e práticas assistenciais com os melhores padrões do mercado ou de instituições de excelência, visando ao aprimoramento da qualidade em enfermagem.
Big Data
Conjuntos de dados massivos, complexos e gerados em altíssima velocidade (caracterizados pelos V's: Volume, Velocidade, Variedade, Veracidade e Valor). Permite identificar padrões epidemiológicos e otimizar recursos em redes de saúde pública [1].
Bit
A menor unidade elementar de informação na computação clássica, podendo assumir apenas os valores 0 ou 1.
Blockchain
Tecnologia de registro distribuído e descentralizado que garante a imutabilidade e a transparência de dados. Na saúde, possibilita o rastreamento seguro da cadeia de custódia de medicamentos e o compartilhamento inviolável de dados do paciente.
Branding
Gestão estratégica da imagem, identidade e reputação de uma marca, serviço ou profissional. Relevante para enfermeiros empreendedores na consolidação de consultórios e plataformas de saúde.
Business Agility (Agilidade de Negócios)
Capacidade de uma organização de saúde em responder com rapidez e flexibilidade às mudanças do mercado ou emergências sanitárias, adaptando processos assistenciais de forma contínua.
Chat / Chat Box
Interface de mensagens instantâneas baseada em texto que permite a troca rápida de dados entre equipes de saúde ou a interação simples entre usuário e sistema.
Chatbot
Programa de computador projetado para simular conversas humanas automatizadas. Na enfermagem, é aplicado em triagens primárias de sintomáticos, agendamento de consultas e orientações de pré-operatório.
Cibersegurança (Cybersecurity)
Conjunto de ferramentas, políticas e ações para proteger redes, equipamentos e dados de saúde contra ataques cibernéticos e acessos indevidos, assegurando o cumprimento da LGPD [3].
Cloud Computing (Computação em Nuvem)
Fornecimento de serviços de computação (servidores, armazenamento, bancos de dados e softwares) pela internet. Permite a consulta remota ao prontuário eletrônico em tablets assistenciais à beira do leito.
Codesign
Metodologia participativa de desenvolvimento onde enfermeiros, desenvolvedores e pacientes projetam colaborativamente novas soluções tecnológicas, alinhando a ferramenta à rotina do cuidado.
Dados Digitais
Informações de saúde codificadas em formato binário, estruturadas ou não, prontas para serem armazenadas, processadas e transmitidas por sistemas eletrônicos.
Data Mining (Mineração de Dados)
Processo de exploração de grandes bases de dados para descobrir padrões, correlações e anomalias ocultas. Essencial em pesquisas acadêmicas de enfermagem para correlacionar fatores de risco e desfechos clínicos.
Data Science (Ciência de Dados)
Campo interdisciplinar que combina estatística, computação e conhecimento em saúde para extrair insights valiosos de dados brutos, suportando a Enfermagem Baseada em Evidências
.
Data Warehouse
Repositório central de dados que consolida informações provenientes de múltiplas fontes hospitalares (PEP, faturamento, farmácia) para análise histórica e inteligência gerencial.
Dashboards
Painéis visuais interativos que apresentam indicadores de desempenho (KPIs) e dados em tempo real, como taxa de ocupação de UTIs, tempo de atendimento na triagem e taxa de quedas.
Deep Learning (Aprendizado Profundo)
Subárea do Machine Learning baseada em redes neurais artificiais profundas. Capaz de analisar dados complexos não estruturados, como apoio ao diagnóstico por imagens dermatológicas de lesões por pressão.
DevOps
Cultura e conjunto de práticas que integra o desenvolvimento de software (Dev) e a operação de TI (Ops), garantindo entregas contínuas e seguras de atualizações nos sistemas de saúde.
Dispositivos Médicos (Medical Devices)
Instrumentos, aparelhos ou softwares voltados à prevenção, diagnóstico, monitoramento ou tratamento de enfermidades. Quando conectados, compõem a internet das coisas médica (IoMT).
Dispositivos Vestíveis (Wearables)
Tecnologias corporais acopláveis (smartwatches, sensores adesivos) que monitoram continuamente parâmetros fisiológicos (ECG, SpO2, glicemia) e transmitem os dados à equipe de enfermagem.
Edge Computing (Computação na Periferia)
Processamento de dados realizado fisicamente próximo à fonte geradora (ex: no próprio monitor multiparamétrico), reduzindo o tempo de resposta em urgências sem depender da nuvem.
Ética em Tecnologia (Bioética Digital)
Reflexão crítica sobre os impactos morais, legais e humanos da implantação tecnológica na saúde, garantindo equidade, privacidade e evitando viés discriminatório em algoritmos [4].
ETL (Extract, Transform, Load / Extração, Transformação e Carga)
Processo de integração de dados em que as informações são extraídas de diversos bancos, tratadas para uniformização de nomenclatura (ex: padronização CIPA/NANDA) e carregadas num repositório central.
Excel
Software de planilha eletrônica amplamente utilizado na gestão de enfermagem para organização de escalas, controle de insumos e análise estatística descritiva primária.
Ferramenta Digital
Qualquer aplicativo, plataforma ou dispositivo tecnológico utilizado para executar uma função específica na assistência, ensino ou gestão da enfermagem.
GitHub
Plataforma de hospedagem e compartilhamento de código-fonte e projetos tecnológicos, amplamente utilizada para colaboração aberta no desenvolvimento de softwares de saúde digital.
Hadoop
Framework de código aberto que permite o processamento distribuído de grandes conjuntos de dados (Big Data) em clusters de computadores.
Hard Skills
Habilidades técnicas e qualificações formais mensuráveis, como a execução de cateterismo venoso central ou o domínio de softwares de prontuário eletrônico.
Hub
No contexto de redes de computadores, é um dispositivo que centraliza o tráfego de dados entre vários equipamentos. No contexto de inovação e saúde, refere-se a um Hub de Inovação: um espaço físico ou virtual que reúne startups, enfermeiros, pesquisadores e gestores para impulsionar a criação de novas tecnologias em saúde.
Hypes
Expectativas exageradas ou grande entusiasmo em torno de uma nova tecnologia antes que sua eficácia clínica ou maturidade no mercado tenham sido devidamente validadas.
IA Generativa (Generative AI)
Modalidade de IA capaz de criar conteúdos originais (textos, simulações de casos clínicos, relatórios didáticos) com base em padrões aprendidos em vastos conjuntos de dados.
Inferência
Etapa em que um modelo de inteligência artificial já treinado aplica seu aprendizado a novos dados de entrada para gerar um diagnóstico preditivo ou sugestão de conduta.
Inovação em Saúde
Implementação de novas ideias, processos, produtos ou serviços que resultam em melhoria substancial na qualidade, eficiência ou acessibilidade dos cuidados prestados ao paciente.
Inteligência Artificial (IA)
Ramo da ciência da computação voltado ao desenvolvimento de sistemas capazes de realizar tarefas que exigiram inteligência humana, como raciocínio, aprendizado e suporte à decisão clínica.
Internet das Coisas (IoT / IoMT)
Rede de objetos físicos equipados com sensores e softwares que se conectam e trocam dados pela internet. Na saúde (IoMT), abrange bombas de infusão conectadas e camas hospitalares inteligentes.
Interoperabilidade
Capacidade de diferentes sistemas de informação e aplicações de software de trocar dados com precisão, utilizando padrões como HL7 e FHIR, essenciais para a continuidade do cuidado [1].
Jira Software
Ferramenta de gestão de projetos que auxilia equipes no planejamento, acompanhamento de tarefas e organização de fluxos de trabalho ágeis.
Lean Portfolio Management
Abordagem de gestão estratégica que aplica princípios enxutos (Lean) para otimizar a alocação de recursos e governança de projetos de tecnologia em saúde.
Letramento Digital / Literacia Digital
Capacidade de acessar, compreender, criar, avaliar e comunicar informações em ambientes digitais de forma crítica, ética e segura. Essencial para o enfermeiro moderno na era da e-Saúde.
LLMs (Large Language Models / Grandes Modelos de Linguagem)
Modelos de IA treinados em volumes massivos de texto, capazes de processar e gerar linguagem natural fluida. Auxiliam na sumarização de prontuários extensos e no suporte à redação científica.
Machine Learning
Repositório digital completo das informações de saúde do usuário ao longo da vida, acessível por equipe multiprofissional autorizada, promovendo a segurança do paciente e integrando o histórico assistencial [1].
QR Code (Quick Response Code)
Código de barras bidimensional que pode ser lido por câmeras de dispositivos móveis. Um de seus usos é na facilitação de formulários para inscrição de cursos e palestras e para acessar informações como na checagem à beira-leito para confirmação de identidade do paciente e medicação correta.
Real Skills
Conjunto de competências autênticas e práticas demonstradas pelo profissional na resolução eficaz de problemas complexos do cotidiano assistencial.
Realidade Aumentada (RA / AR)
Tecnologia que sobrepõe elementos virtuais tridimensionais à visão do mundo real (ex: scanners venosos portáteis que projetam o trajeto dos vasos sanguíneos sobre a pele do paciente).
Realidade Virtual (RV / VR)
Tecnologia que imerge o usuário em um ambiente totalmente digital simulado por meio de óculos especiais, amplamente usados em treinamento cirúrgico e de enfermagem.
Robótica em Enfermagem
Aplicação de robôs para execução de tarefas de logística (transporte de exames/medicações), desinfecção UV de ambientes ou auxílio na mobilização de pacientes acamados.
Saúde Digital (eHealth)
Uso amplo e ético das tecnologias de informação e comunicação (TICs) para aprimorar a saúde pública, a gestão hospitalar e a prestação de cuidados [1].
Segurança da Informação em Saúde
Conjunto de medidas de proteção que assegurem a disponibilidade, integridade, confidencialidade e autenticidade dos dados clínicos dos pacientes.
Site
Conjunto de páginas virtuais acessíveis na internet sob um determinado nome de domínio, utilizado para comunicação, portal de saúde ou divulgação científica.
Skills
Conjunto de aptidões, competências e conhecimentos técnicos e comportamentais desenvolvidos pelo profissional.
Smart Skills
Competências modernas que integram o domínio tecnológico com agilidade cognitiva, inteligência emocional e capacidade de adaptação rápida.
Soft Skills
Habilidades comportamentais e interpessoais, tais como empatia, comunicação assertiva, trabalho em equipe e liderança na gestão de enfermagem.
Speech Technologies
Ferramentas de reconhecimento e síntese de voz que permitem o ditado automático de evoluções de enfermagem no prontuário por comando de voz.
OBS: A tecnologia analógica refere-se ao registro físico e sequencial (como o prontuário em papel). A Transformação Digital é a mudança cultural e operacional profunda que migra esses processos para fluxos orientados a dados integrados.
Teleenfermagem
Exercício da enfermagem mediado por TICs para realização de consulta, monitoramento, orientação e triagem remota, regulamentado pelo COFEN [4].
Telemedicina
Exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, consulta, diagnóstico e emissão de laudos a distância.
Telemonitoramento
Acompanhamento remoto e contínuo de parâmetros clínicos do paciente no domicílio por meio de dispositivos conectados.
Telessaúde
Prestação remota de serviços de saúde e ações de educação permanente por meio de tecnologias de informação e comunicação [1].
TI (Tecnologia da Informação)
Área do conhecimento responsável por hardware, software, redes e infraestrutura para processamento e gestão da informação.
VUCA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade)
Acrônimo que descreve a dinâmica de ambientes complexos e de rápida mudança, como o cenário da saúde digital pós-pandemia.
World Skills
Padrões e competências profissionais reconhecidos mundialmente como essenciais para a excelência técnica no mercado globalizado.
Referências
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Informação e Saúde Digital. Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD28). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saude-digital>.
2. World Health Organization (WHO). Global strategy on digital health 2020-2025. Geneva: World Health Organization, 2021. Disponível em: <https://www.who.int/docs/defaultsource/
documents/gs4dhdaa2a9f352b0445baf17c7df261da080.pdf>.
3. Brasil. Lei Nº 13.709, de 14 de Agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2018.
4. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN Nº 696/2022: Regulamenta a normatização da Enfermagem Digital e da Teleenfermagem. Brasília: COFEN, 2022.
Tuna e Cruz
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