A Leitura como Tecnologia Essencial na Formação e Prática da Enfermagem: Um Olhar Crítico em Tempos Digitais
O livro, enquanto tecnologia simples e acessível, desempenha um papel crucial na aquisição de conhecimento, especialmente para profissionais de enfermagem. Em um contexto onde a carga de trabalho é exaustiva, a leitura se apresenta como uma ferramenta poderosa para a disseminação de conhecimentos, incremento da criatividade e desenvolvimento pessoal e profissional. Este texto explora a importância do hábito da leitura, as possibilidades oferecidas pelas tecnologias modernas para acesso a conteúdos literários e a relevância da escrita na prática da enfermagem, especialmente na era da Inteligência Artificial Generativa.
A era digital, com seu arsenal de tecnologias, oferece um leque de possibilidades para a aquisição de conhecimento. A forma tradicional, leitura de livros, permanece tendo sua importância mesmo em tempo de tecnologias avançadas como a Inteligência Artificial que nos fornece materiais para consulta já resumidos ou criticados.
A leitura é uma prática fundamental para o desenvolvimento intelectual e emocional. Estudos indicam que o hábito de ler amplia a visão de mundo, estimula a criatividade e melhora a capacidade de resolver problemas. Para os profissionais de enfermagem, a leitura não apenas enriquece o conhecimento técnico, mas também promove a empatia e a compreensão das experiências humanas, aspectos essenciais no cuidado ao paciente.
A importância do livro como ferramenta de aprendizagem e desenvolvimento profissional, especialmente para os enfermeiros, permanece inquestionável. A leitura, além de ser uma fonte inesgotável de conhecimento, estimula a criatividade, a capacidade de análise e a reflexão crítica, habilidades indispensáveis para a prática da enfermagem.
A leitura regular de livros, artigos científicos e outras publicações especializadas é fundamental para a atualização profissional dos enfermeiros. Ao mergulhar em diferentes perspectivas e abordagens sobre temas relevantes para a prática, os profissionais podem ampliar seus conhecimentos, aprimorar suas habilidades e desenvolver um pensamento crítico mais aguçado.
A tecnologia digital pode ser uma aliada importante para a promoção da leitura. Podcasts sobre literatura, audiolivros, e-books e livros digitalizados oferecem novas formas de acessar o conhecimento, tornando a leitura mais flexível e acessível. Além disso, a participação em grupos de leitura e a troca de livros com colegas podem estimular o hábito da leitura e promover a construção de redes de conhecimento. Sites como Open Library e Google Livros disponibilizam milhões de títulos gratuitamente. Além disso, participar de grupos de leitura e troca de livros pode ser uma excelente forma de manter o hábito da leitura e compartilhar conhecimentos com colegas.
O aprimoramento profissional é necessário para manter a prática atualizada e a leitura, apesar do pouco tempo livre e da carga horária exaustiva, ainda é uma forma acessível de adquirir conhecimentos e a leitura regular pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros de diversas maneiras:
Ampliação do conhecimento: A leitura permite que os enfermeiros se mantenham atualizados sobre as últimas tendências e descobertas na área da saúde.
Desenvolvimento de habilidades de comunicação: A leitura contribui para a ampliação do vocabulário e para o aprimoramento da capacidade de expressar ideias de forma clara e concisa.
Fortalecimento do pensamento crítico: A leitura de diferentes perspectivas sobre um mesmo tema estimula o pensamento crítico e a capacidade de analisar informações de forma objetiva.
Melhora da capacidade de resolução de problemas: A leitura de casos clínicos e estudos de caso pode ajudar os enfermeiros a desenvolver habilidades de resolução de problemas complexos.
Aumento da autoestima: A leitura pode proporcionar um sentimento de realização e contribuir para o aumento da autoestima.
Desenvolvimento da capacidade de escrita: A leitura e a escrita são processos complementares. Ao ler, o enfermeiro absorve novas informações e ideias, que podem ser utilizadas para aprimorar sua prática. Ao escrever, ele organiza seus pensamentos, reflete sobre suas experiências e desenvolve habilidades de comunicação. A escrita é fundamental para o registro da assistência, tanto de forma tradicional, em livros ou prontuários, quanto de forma digital. Além disso, em um mundo cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a capacidade de escrever textos claros e concisos é essencial para a interação com sistemas de geração de texto, como o ChatGPT, para aprimorar a capacidade de gerar comandos (os “prompts”) mais explícitos para obter o resultado desejado.
Enfatizamos: a escrita é uma habilidade essencial na enfermagem, tanto para o registro da assistência quanto para a comunicação eficaz. Registros precisos e claros são fundamentais para garantir a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. Além disso, na era da Inteligência Artificial Generativa, a capacidade de escrever comandos eficazes é crucial para obter bons resultados de ferramentas como a IA generativa (já explicada em outras postagens deste blog). Desenvolver a habilidade de escrita, portanto, não só melhora a prática profissional, mas também capacita os enfermeiros a utilizar tecnologias avançadas de forma eficiente para registrar informações, mas também um instrumento de transformação. Ao escrever sobre suas experiências, os enfermeiros podem refletir sobre sua prática, identificar suas dificuldades e buscar soluções para os problemas. Além disso, a escrita pode ser uma forma de dar voz aos pacientes e de defender seus direitos.
Sempre que puder, nas situações de relaxamento ou férias, é importante tomar conhecimento da literatura para aprimoramento cultural. Intercalar a leitura de livros técnicos com obras literárias é uma prática saudável.
Livros sobre a profissão de enfermagem podem fornecer atualizações sobre práticas clínicas, novas pesquisas e metodologias de cuidado. Por outro lado, a literatura geral pode oferecer momentos de relaxamento e inspiração, contribuindo para a saúde mental e emocional dos profissionais. A leitura de obras literárias, além de proporcionar prazer e relaxamento, pode estimular a criatividade e a imaginação dos enfermeiros. Ao entrar em contato com diferentes universos e personagens, os profissionais podem desenvolver uma maior sensibilidade para as necessidades e experiências dos pacientes, tornando a assistência mais humanizada e individualizada.
Um exemplo que une literatura de qualidade que traz um ensinamento para a prática da Enfermagem é o capítulo 31 de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", intitulado "Borboleta Preta", que representa um marco na obra machadiana pela sua originalidade e profundidade. Ao narrar a perseguição e a morte de uma borboleta preta sob duas perspectivas distintas - a do homem e a do inseto -, Machado de Assis nos convida a uma reflexão sobre a natureza da realidade e a importância da linguagem na construção dos significados.
Machado de Assis demonstra sua maestria ao alternar entre a visão do homem e a da borboleta. Inicialmente, a cena é descrita do ponto de vista humano, com uma atenção aos detalhes que revela a complexidade das interações e emoções humanas. Em seguida, a perspectiva muda para a borboleta, oferecendo uma visão simplificada e instintiva da mesma situação. Essa dualidade não só destaca a habilidade do autor em manipular diferentes vozes narrativas, mas também sublinha a relatividade das percepções.
A habilidade de Machado de Assis em apresentar uma mesma cena sob diferentes perspectivas pode ser uma valiosa lição para os profissionais de enfermagem. A escrita do registro de enfermagem, por exemplo, exige que o profissional seja capaz de descrever de forma clara e precisa os fatos ocorridos durante a assistência ao paciente. No entanto, é fundamental que essa descrição seja feita de forma imparcial e objetiva, evitando julgamentos de valor e interpretações pessoais.
Para os profissionais de enfermagem, este capítulo pode ser interpretado como uma metáfora para a prática diária de registro de informações. Assim como Machado de Assis apresenta duas perspectivas para uma mesma cena, os enfermeiros devem estar atentos a todos os ângulos de uma situação clínica. A precisão e a clareza na escrita são essenciais para garantir que todas as ocorrências sejam descritas corretamente, proporcionando uma visão completa e precisa do estado do paciente.
Ao utilizar a linguagem de forma precisa e concisa, o enfermeiro garante que todas as informações relevantes sejam registradas, permitindo uma comunicação eficaz entre os membros da equipe de saúde e contribuindo para a continuidade do cuidado. Além disso, a escrita clara e objetiva facilita a compreensão dos fatos por parte de outros profissionais, como médicos e advogados, em caso de necessidade.
A habilidade de escrever de forma clara e precisa é crucial na enfermagem. Registros bem elaborados são fundamentais para a continuidade do cuidado e para a comunicação eficaz entre os membros da equipe de saúde. Assim, os profissionais de enfermagem devem se esforçar para capturar todas as nuances das situações que enfrentam, garantindo que suas anotações sejam compreensíveis e úteis para todos os envolvidos no cuidado ao paciente.
Assim como Machado de Assis nos convida a nos colocar no lugar da borboleta, os enfermeiros devem se esforçar para compreender a perspectiva dos pacientes. A escuta ativa, a empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro são habilidades essenciais para a prática da enfermagem. Ao registrar a experiência do paciente, o enfermeiro deve buscar compreender seus sentimentos, suas necessidades e suas expectativas, evitando julgamentos e estereótipos. Por outro lado, Machado ao conjecturar a visão da borboleta nos mostra que uma mesma situação pode ser interpretada de várias formas. O registro eficaz evita a interpretação errada.
Em um mundo cada vez mais complexo e exigente, a leitura continua sendo uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros. Ao combinar a leitura tradicional com as novas tecnologias, os profissionais podem ampliar seus conhecimentos, estimular sua criatividade e fortalecer suas habilidades de comunicação. A leitura não é apenas uma atividade prazerosa, mas também uma necessidade para aqueles que buscam excelência em sua prática.
O livro, como tecnologia de conhecimento, oferece inúmeras vantagens para os profissionais de enfermagem. O hábito da leitura, facilitado pelas tecnologias modernas, é uma prática acessível que promove o desenvolvimento contínuo, a criatividade e a expressão de sentimentos. Além disso, a escrita, tanto para registros clínicos quanto para a interação com tecnologias de IA, é uma competência indispensável na prática da enfermagem contemporânea. Incentivar a leitura e a escrita entre os profissionais de enfermagem é, portanto, essencial para a excelência no cuidado e na inovação na área da saúde.
Referências
Assis, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Editora Ática, 2010.
Costa, M. G. (2015). A leitura como prática social: reflexões sobre o papel da escola. Revista Brasileira de Educação, 19(56), 493-508.
Souza, E. R., & Silva, M. J. (2017). A importância da leitura para a formação do profissional de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, 70(6), 1234-1239.
Sugestões:
TechTudo. Ler livros online grátis: veja 21 sites e apps para leitura na Internet. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/listas/2022/01/cinco-sites-para-ler-livros-gratuitos-na-internet.ghtml. Acesso em: 12 dez. 2024.
Apresentamos o texto citado:
“MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
Capítulo 31
Borboleta preta
“No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta, tão negra como a outra, e muito maior do que ela. Lembrou-me o caso da véspera, e ri-me; entrei logo a pensar na filha de Dona Eusébia, no susto que tivera e na dignidade que, apesar dele, soube conservar. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite.O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.
Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.
-Também por que diabo não era ela azul? disse eu comigo.
E esta reflexão, -uma das mais profundas que se tem feito desde a invenção das borboletas,- me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: «Este é provavelmente o inventor das borboletas.» A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir-lhe misericórdia.
Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo; aí vinham já as próvidas formigas... Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.”
O capítulo "Borboleta Preta" de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" é um exemplo brilhante da criatividade de Machado de Assis e oferece uma lição valiosa para os profissionais de enfermagem. Através da alternância de perspectivas, o autor nos lembra da importância de considerar todos os ângulos de uma situação e de registrar informações de maneira precisa e clara. Este capítulo serve como um lembrete de que a escrita correta é essencial para a prática da enfermagem, garantindo que todas as situações e ocorrências sejam descritas de forma completa e precisa. E para uma boa escrita, leitura é essencial.
Ler é essencial para o desenvolvimento pessoal.
O advento das tecnologias digitais permite a leitura e estudos (além do tradicional livro/apostila) através de mídias digitais como celulares, computadores, notebooks, tablets, leitores de e-books.
Aprenda como usá-los através de cursos básicos e rápidos.
Recomendamos:
https://www.cursos24horas.com.br/parceiro.asp?cod=promocao144228
Comentários
Postar um comentário